"Superprodução das letras" - 20ª Bienal Internacional do Livro de SP

12/08/2008

A 20ª Bienal Internacional do Livro terá 4 100 novos títulos e a presença de 48 escritores estrangeiros
Por Fabio Brisolla


O Anhembi em 2006: expectativa de superar a marca de 800 000 visitantes

Durante onze dias, São Paulo ganhará o status de capital da leitura. Na próxima quinta-feira (14) começa no Pavilhão de Exposições do Anhembi a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o grande encontro nacional entre autores, editores, distribuidores e, claro, o público. Em uma área de 20 200 metros quadrados, o equivalente a dois campos de futebol, 350 expositores apresentarão 210 000 títulos. A expectativa é superar a marca recorde de 800 000 visitantes de 2006. Os trunfos da Câmara Brasileira do Livro, responsável pela organização, são a quantidade de lançamentos (serão 4 100 livros inéditos, 36% a mais que na última edição) e a vinda de 48 autores estrangeiros (o dobro da 19ª Bienal). Para os leitores, é a oportunidade de estar perto de algumas estrelas da literatura atual e, em alguns casos, conhecer um pouco do que esses escritores têm a dizer. O Salão de Idéias Volkswagen, com 500 lugares, reúne uma programação diária de palestras e debates. Entre os convidados estão a jornalista americana Samantha Power, autora da biografia do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto num atentado a bomba no Iraque, e o mexicano Guillermo Arriaga, roteirista de filmes como Babel e 21 Gramas (veja alguns destaques abaixo). Toda a programação é gratuita e as senhas serão distribuídas duas horas antes de cada evento.

Foram confirmadas 822 sessões de autógrafos até domingo (24), quando termina a festa. "Vamos ter uma atividade cultural a cada três minutos", afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara. Walcyr Carrasco, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Fernando Morais, Laurentino Gomes e Zuenir Ventura são alguns dos nomes anunciados. Crianças e adolescentes poderão se divertir no espaço Ler é Minha Praia, uma área de 2 000 metros quadrados que vai combinar teatro, contadores de história, oficinas diversas e uma grande biblioteca.

De acordo com uma pesquisa realizada pela organização na última Bienal, 78% dos visitantes compraram livros no evento. Cada um levou, em média, três exemplares para casa. "A exposição de um título durante a feira pode aumentar suas vendas em até 20%", diz Marcos Pereira, diretor executivo da Editora Sextante. Para tentar alavancar os números do best-seller A Conspiração Franciscana, que atingiu a marca de 100 000 exemplares comercializados, por exemplo, a Sextante traz à cidade o autor, John Sack. Além de dar uma palestra, o americano participa de sessão de autógrafos. "A presença do escritor na Bienal tem o poder de renovar o interesse dos leitores por seus livros", afirma Pereira.

http://veja.abril.com.br/vejinhas_2002/imagens/rotPonto.gif20ª Bienal do Livro de São Paulo. Pavilhão de Exposições do Anhembi. Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana, http://veja.abril.com.br/vejinhas_2002/imagens/rotTelefone.gif2226-0400. De quinta (14) ao dia 24, das 10h às 22h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis para crianças de até 12 anos, adultos com mais de 65 anos e portadores de deficiência. Estac. (R$ 20,00 a diária). www.bienaldolivrosp.com.br.

 

Os craques da seleção estrangeira

Conheça alguns dos escritores internacionais escalados
para palestra no Salão de Idéias Volkswagen

Fotos Divulgação

Zlata Filipovic

Zlata Filipovic

Nascida em Sarajevo, na Bósnia, ela publicou, aos 13 anos, O Diário de Zlata: a Vida de uma Menina na Guerra (Companhia das Letras, 200 páginas, 32,50 reais), relato de suas experiências durante a guerra na ex-Iugoslávia. Organizou com a inglesa Melanie Challenger a coletânea Vozes Roubadas – Diários da Guerra (Companhia das Letras, 376 páginas, 37 reais). São catorze textos de crianças e jovens sobre a rotina em zonas de conflito. Sábado (16), às 15h.

Guillermo Arriaga

Guillermo Arriaga

É autor de Esquadrão Guilhotina (Gryphus, 158 páginas, 29,90 reais), romance ambientado durante a Revolução Mexicana (1910-1920). Publicou também O Búfalo da Noite (Gryphus, 256 páginas, 36 reais), um relato do caos provocado na vida de personagens envolvidos em um triângulo amoroso. O escritor mexicano, roteirista dos filmes Amores Brutos, 21 Gramas e Babel, conversa sobre seu trabalho com os brasileiros Marçal Aquino e Marcelo Rubens Paiva. Sábado (16), às 19h.

Samantha Power

Samantha Power

Professora de Harvard e ex-correspondente de guerra, ela é ex-conselheira do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, na área de política internacional. Escreveu O Homem que Queria Salvar o Mundo (Companhia das Letras, 672 páginas, 59 reais), a biografia do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em um atentado a bomba contra a sede da ONU em Bagdá, no Iraque, organizado pela Al Qaeda em 2003. Domingo (17), às 17h.

John Sack

John Sack

Seu livro A Conspiração Franciscana (Sextante, 448 páginas, 39,90 reais) atingiu a marca de 100 000 exemplares vendidos no Brasil. Traduzida para mais de vinte países, a trama se passa em 1230 e gira em torno de um mistério envolvendo a Ordem dos Franciscanos. Formado em língua inglesa pela Universidade de Yale, o escritor americano já havia entrado no tema em O Lobo no Inverno, no qual contou a trajetória de São Francisco de Assis ainda jovem. Domingo (17), às 19h.

Julia Franck

Julia Franck

Expoente da nova geração de autores alemães, Julia vai conversar sobre a literatura contemporânea em seu país com os compatriotas Antje Rávic Strubel e Ulrich Peltzer. Ela lança o romance A Mulher do Meio-Dia (Nova Fronteira, 352 páginas, 39,90 reais), a história de uma enfermeira alemã que resolve fugir para Berlim com o filho de 8 anos após o fim da II Guerra. No meio do caminho, ela decide abandoná-lo em uma estação de trem. Dia 19, às 11h.

Yuri Felshtinsky

Yuri Felshtinsky

Publicou A Explosão da Rússia – Uma Conspiração para Restabelecer o Terror da KGB (Record, 294 páginas, 44 reais) em parceria com Alexander Litvinenko, ex-agente do serviço de informação russo que pediu asilo político à Inglaterra em 2000 e morreu em um estranho caso de envenenamento seis anos depois. É co-autor, com Vladimir Pribilovski, de A Era dos Assassinos – A Nova KGB e o Fenômeno Vladimir Putin (Record, 392 páginas, 50 reais). Dia 23, 17h.


Fonte: Revista Veja SP